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Gato Pardo

Para quem conhece, vocês estão mais que vacinados. Vocês não conhecem isto? São maiores de idade? Trazem o vosso cartão de cidadão, boletim de vacinas e resgisto criminal? Não? Fantástico!!!

Gato Pardo

Para quem conhece, vocês estão mais que vacinados. Vocês não conhecem isto? São maiores de idade? Trazem o vosso cartão de cidadão, boletim de vacinas e resgisto criminal? Não? Fantástico!!!

Nostalgia

14.01.10publicado por Gato Pardo

Hoje, ao ver tanta gente de chapéus de chuva abertos, lembrei-me daqueles gajos do antigamente que andavam com as suas bicicletas todas artilhadas ao melhor estilo pimp my bike que afiavam as tesouras e facas das donas de casa e arranjavam os guarda chuvas...Ah, não esquecendo aquele som inconfundível da flauta de pan que anunciava a chegada deles a 2 km de distância...

Tenho a dizer que sonhei um dia ser um destes gajos...Primeiro, porque na minha ingenuidade de criança, eu achava que se as miúdas da primária andavam todas malucas pelo meu colega Ricardo que tinha uma bota Botilde, se eu tivesse uma bicicleta onde se pudesse afiar naifas, certamente ia deixá-las completamente doidas...Paranóias de bad boy...Depois, porque um homem que afiava as pontas de metal dos chapéus de chuva ao ponto daquilo funcionar como uma baioneta, era merecedor não só da minha admiração como de algum respeito (e medo, já agora...Não estava na minha lista de desejos ser esventrado por uma ponta de um chapéu de chuva em tão tenra idade...)...

Havia um destes gajos lá pelos meus lados, na minha infância...Era o gajo a chegar e eu a observá-lo de uma distância segura enquanto as velhotas lá iam ter com ele carregadas de faqueiros inteiros para o homem afiar...E ele, sossegado, lá tratava de afiar a navalhada toda...Eu achava aquilo o máximo, porque ver uma bicicleta a soltar faíscas da traseira à medida que o gajo encostava uma faca à pedra colocada na traseira, era uma sensação mais ou menos semelhante ao Kitt ter parado na minha porta de casa e convidar-me para ir dar uma voltinha...Era do camandro...

Lembrei-me também do João Padeiro, o homem que durante anos a fio, nos levava o pão quente a casa, colocando-o diariamente dentro do saco de pano, estrategicamente pendurado no puxador da porta...Homem de sorriso aberto, fácil trato, bonacheirão...Que se tornou amigo com o passar dos anos...

Lamento dizer que já lá vão muitos anos que não vejo estes senhores...O João já partiu...O amolador possivelmente também...Mas que no entanto, perdurarão nas minhas memórias de criança...